Quem me conhece sabe bem que eu não sou radical em relação a nada nessa vida. Muito pelo contrário não gosto de posicionamentos do tipo, só pode isso ou não pode aquilo. Não que eu sempre fui assim tão liberal, mas a experiência de mãe foi me transformando. Quando o Serginho era bebê exagerei em diversos cuidados e hoje sou bem relax com a Mariana. Por exemplo, nunca nessa vida o Serginho chegaria perto de um animal de estimação com a idade da Mariana. Como hoje temos um animal em casa ele é a principal atração e a principal vítima da Mariana. É claro que tenho mais trabalho para manter a casa sempre limpa, até porque o Pepe solta pêlos e não quero encontrá-los na boca dela, mas isso não impede que ela brinque com ele.
Outra coisa é relação as papinhas. Com o Serginho eu tratava papinha Nestlé como veneno dos infernos, totalmente proibido, assim como seria minha idéia proibir também refrigerante, balas, e biscoitos recheados. Sim, proibí. Até a hora que ele aprendeu a comer esse tipo de alimento e achou interessante. E acreditem, uma hora ou outra eles vão experimentar e gostar ou não muito provavelmente não vai depender da educação que você deu em casa. Não estou dizendo que você não deva ter hábitos saudáveis, mas é que mesmo com os melhores hábitos possíveis dificilmente os seus filhos vão escapar de comer de vez em quando sanduíches, refrigerantes e demais bobageiras. Por exemplo, dificilmente compro refrigerante para ter em casa porque sei que se tiver, invariavelmente o Serginho vai tomar. E daí entra o bom senso, refrigente pode, mas não sempre.
Com a Mariana diversas coisas são bem diferentes do que com o Serginho. Começando com a amamentação que embora tenha sido com a mesma mãe que vos fala, foi praticamente como se tivesse entrado em cena uma bem diferente. De vaca passei a ser uma ovelha, com leite, mas nem tanto assim. Daí entrou o leite artificial e logo em seguida as papinhas. Como indicação única do pediatra velhinho: papinhas só as compradas. Não se faz comida para bebês em casa. Aqui na Áustria isso é tratado como algo ultrapassado e até perigoso, pois quem é que sabe o que está cozinhando? Mesmo quando eu informei que praticamente 80% do que consumimos em casa são produtos com selo Bio, ainda sim ele se manifestou contrário. É óbvio que eu nem liguei. Hoje 50% da alimentação da Mariana é industrializada e 50% feita em casa. Porque eu quero que ela aprenda a gostar de todos os sabores. Não quero ser refém da cozinha, mas quero que ela aprenda a comer aquilo que nós mesmo comemos. Ela é cidadã do mundo. Hoje estamos na Austria, amanhã poderemos voltar para o Brasil ou ser expatriados para outro lugar. Por isso o paladar tem que se acostumar com tudo. Já pensou se eu volto para o Brasil e ela só quer comer papinha da Hipp? O que eu faço, mando importar? Jamais. Papinha industrializada pode, mas se você puder fazer em casa, ótimo.
Outra questão é o uso do andador. Muitos médicos e fisioterapeutas são absolutamente contrários ao uso desse acessório e informam que além de ser um atraso na vida do bebê é extremamente perigoso. Concordo, mas em partes. Creio que realmente pode ser um problema para a criança que fica boa parte do dia no andador, mas não vejo problema nenhum colocá-la em momentos em que você precisa fazer alguma coisa, já que o andador proporciona alguma liberdade também para a criança. Usei com o Serginho e ele aprendeu a engatinhar aos 7 meses, nunca teve as pernas tortas por ter usado e saiu andando um dia antes do aniversário de um ano. Mais uma vez acredito que o bom senso prevalece. Andador pode, mas não o tempo inteiro.
É óbvio que não vou ensinar a Mariana falar palavrões, mas alguém tem alguma dúvida de que essas serão uma das primeiras palavras que ela vai aprender? Não se esqueçam que o irmão é adolescente e sabe falar muitos palavrões em pelo menos 10 línguas (ele estuda em escola internacional e a primeira coisa que eles perguntam uns aos outros é como se fala tal palavrão na língua de cada um). Agora me diga, adianta eu me descabelar toda porque não quero que ela aprenda isso? Amordaço o irmão para que ele não fale? Ou ensino carinhosamente que isso não pode falar (mesmo com o irmão falando, oh my God...). Palavrão não pode, não dê ouvidos ao seu irmão.
Tive a sorte de poder ter dois partos normais apesar de que totalmente diferentes um do outro. No do Serginho foi um parto normal com anestesia e epiotomia. Da Mariana um parto natureba, mais humanizado impossível. Quase um parto estilo Gisele Bundchen, minha amiga também de desfralde aos 6 meses. Só não foi na água porque me deu agonia aquela banheira e eu precisava de ação naquele momento. Um parto em pé, sem episiotomia, com o pai cortando o cordão umbilical (detalhe sem roupas de centro cirúrgico, com a roupa que usava antes e com os sapatos cheios de neve), com a Mariana no meu colo e mamando em seguida. E se você me perguntar qual na minha opinião foi melhor eu diria que cada um teve alguma coisa boa. Primeiro o do Serginho acho que anestesia é uma condição indispensável para mim. Sofri demais no parto da Mariana e acho que fazer sem anestesia foi um sofrimento totalmente desnessário. Não sou mais mãe dela do que sou do Serginho porque senti tudo e dele sofri menos. Também acho que se estivesse no Brasil o parto da Mariana seria uma cesárea porque demorou muito para ocorrer a dilatação e o parto só foi possível graças ao excelente trabalho e experiência das doulas, coisa que seria difícil encontrar no Brasil. E se fosse uma cesárea também eu não seria menos mãe para ela do que fui para o Serginho. Se o radicalismo tanto na defesa do parto normal como no direito a escolha da cesárea for levado tanto a sério, daqui a pouco chegaremos a conclusão que a mulher que adota não é mãe, pois não foi preparada para ser mãe pela gravidez ou pelo parto normal. Cesárea pode, mas se você quiser e puder um parto normal, melhor.
Sabe o que realmente não pode? Radicalismo, ser xiíta com os seus pensamentos, obrigar as pessoas a fazer o que você acha certo mesmo contra a vontade delas. O resto pode, mas use com moderação.
Bjs
Lu
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010
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