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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Da série: a intimidade é uma merda!

Oi gente

O título é para dizer para vocês o quanto essa história de blog deixa a gente meio maluca. Eu estava louca, desesperada para vim logo contar os emocionantes acontecimentos da minha vida, mas tinha que esperar. O pior é que estava me sentindo como se estivesse traindo alguém por não ter falado nada para ninguém ainda.
Descobri que tenhos alguns leitores homens, mas peço licença para eles, pois hoje a história é de mulherzinha. Lá vamos:
As duas únicas vezes que tive meu ciclo menstrual atrasado foi porque estava grávida. Meu sobrenome é ciclo regulado. E se tenho trauma de alguma coisa nessa vida é da seguinte frase de médico ginecologista: "então, você espera sua menstruação descer e inicia o anticoncepcional". Das duas vezes a caixinha de pílulas estava a minha espera, ou melhor, a espera da minha querida menstruação que é óbvio só apareceu muitos meses depois.
Então não precisa dizer que o atraso desse mês começou a me deixar louca. O tal do anel de hormônios esperando e nada...
Acontece como vocês sabem (porque eu contei isso), meu maridovski viajou esse mês porque ficou 10 dias na Arabia Saudita. Ou seja tivemos menos contato físico, se é que vocês me entendem. E houve uma certa prevenção nos contatos para evitar que algo saísse do controle. Prevenção não 100% eficaz, mas que não deixa de ser uma prevenção (vou poupá-los dos detalhes sórdidos).
Enfim, com um dia de atraso, para tirar logo a preocupação da cabeça, resolvi comprar um teste de gravidez de farmácia. Chegamos na farmácia, eu, Mariana, Serginho e Pepe. Quando peço o teste para a atendente o Serginho berra: MÃÃÃEEE... eu calmamente respondo que não é nada e que não estou grávida. Vamos para casa, deixo Mariana no chiqueirinho e vou fazer meu xixizinho. Espera uns minutos e nada. Ótimo sinal. Ligo para maridovski e aviso que não estou grávida. Ligo para a Iram que era a única a saber do atraso e aviso ela também. Tudo para a história terminar em felizes para sempre. Deixo o teste em cima da pia e vou fazer janta, etc. Umas 3 horas depois vou novamente fazer um xixizinho quando me deparo com o teste. Pra não perder a amizade dou mais uma olhada no visor. Olhem bem o que apareceu:
Vocês conseguem ver a linha rosa na bolinha maior? Sim? Pois é. Positivo operante. Desesperada chamo o marido e mostro também. Começo o choro inconsolado. Corro para o google e fico feliz em saber que a linha mesmo fraca também é sinal de positivo. Pego a bula e descubro uma incrível capacidade de ler em alemão e que diz que a sensibilidade do teste é de 25 trubiscos (não sei qual é a unidade de medida) para HCG. O teste da Mariana foi exatamente dessa marca e deu certinho. Choro. Choro muito. Choro tanto que mal consigo ficar em pé. Marido calado. Serginho calado e até o Pepe calado.
Vamos tentar dormir. Já por duas noites não dormia nada porque a Mariana está gripadinha e não está conseguindo dormir direito por causa do nariz trancado. Ou seja, acabada fisicamente e emocionalmente. Mais uma noite sem pregar o olho.
De manhã, logo após despachar o Serginho para a escola, arrumo a Mariana e vamos para outra farmácia para comprar outro teste.
Pausa: vocês tinham que ver as caras das atendentes quando eu pedi os testes. Se pudessem me passavam um sermão. Olhavam para mim, olhavam para a Mariana e o ódio fervia em seus olhos. A sensação que eu tive é que quando virei as costas elas falaram: "olha que irresponsável, com um bebe desse tamanho e arranjando outro. É esses imigrantes vem para o nosso país só para ter filho mesmo". Despausa.
Chego em casa e vou direto para o banheiro. Faço meu xixizinho e olha o resultado:
Traduzindo: negativo. Porque na bolinha maior tinha que aparecer um sinal de + e não de -. Vou para a bula e esse teste tem sensibilidade para 50 trubiscos de HCG, ou seja, o primeiro é mais poderoso para início de gravidez. Dúvida. Não posso confiar integralmente no teste porque vai que a gravidez é bem recente e o nível de HCG está mais fraco mesmo. Não quero nem saber, me agarro nesse resultado como se não houvesse amanhã.
Passo o dia tentando me distrair e esperando que alguma coisa acontecesse. E aconteceu. Sim ela veio. Com dois dias de atraso. A paz reina novamente em casa.
Agora antes que alguém jogue pedras neste ser que vos escreve, vou dizer umas breves palavras. É óbvio que se estivesse grávida a única coisa de mal que eu faria seria chorar e ficar desesperada. Coloquem-se no meu lugar: com uma bebezinha de 5 meses, sozinha num país estranho, sem mãe nem sogra por perto, sem ajudante, sem babá, passando pela terceira gravidez que por si só é desgastante, mais um parto que invariavelmente seria normal sem anestesia, tendo que me desdobrar para cuidar da casa, dos filhos, do marido. Sem contar que estou beirando os 36 anos, ou seja, não sou mais nenhuma adolescente. E ainda por cima mais um detalhe: para mim está ótimo ter dois filhos. Sempre achei que seria só um. Então já ganhei bônus. Estamos felizes assim. Por isso todo o meu desespero. Mas enfim, foi um susto.
E pra terminar a longa história e amenizar um pouco o "the end", vai uma fotinho da única bebe da casa vestidinha para ir numa festa junina no sábado. Não tinhamos vestido xadrez, então foi de florzinha mesmo.



Bjs

Lu