sexta-feira, 15 de junho de 2012

Um dia da minha vida - ilustrado


Quando estivemos a última vez no Brasil nossos amigos nos perguntaram como era o nosso dia-a-dia em Viena. Como seriam as coisas básicas como fazer supermercado, trânsito. Daí resolvi fazer um post contando e ilustrando o meu dia inteiro. É também uma forma de recordação para quando não estiver morando mais em Viena e quando a minha deixar de ser tão mole assim.

6:30 hs - Como o marido estava viajando a Mariana estava dormindo comigo na minha cama. Quando deu 6 e meia ela acordou com o tradicional mau humor que lhe é normal. Ficamos nos enrolando na cama até o último minuto possível.

7:15 hs - Levantamos, chamo o Serginho, arrumo o café da manhã de todos, arrumo a Mariana, arrumo as camas, levanto as persianas, abro as cortinas e janelas. Dou comida para o cachorro.

8:15 hs - Saimos para a escola da Mariana. Como nesse dia tem passeio no parque, as crianças tem que chegar até às 8:30 hs na escola.


Seguimos andando em ritmo acelerado pelas ruas do primeiro Distrito.

Stephansdom de manhã cedinho, ainda sem os turistas muvucando.
 8:30 hs - Deixo a pequena na escola e volto para a Stephansdom para pegar o Mettrô.

Olha quem fica dando tchauzinho pela janela
 8:45 hs - Chego na Mariahilferstrasse para minha aula no Cambridge Institute. Se alguém perguntar: ué, voltou para o inglês? Eu respondo que sim, pois tenho uns planos futuros e tenho que sair urgentemente desse meu nível de inglês. O alemão ficou para o segundo semestre.

Mariahilferstrasse, rua de comércio de Viena
 10:00 hs - Minha aula acaba e pego o metrô rumo de volta para casa. O dia está lindo então eu tinha planejado correr no ring que é nada mais que uma rua que circula o primeiro distrito com 5,3 km, porém apesar do sol, o dia está bem friozinho (cerca de 12 graus) e como saí de casa sem casaco acabei passando o maior frio na rua. Resultado: cheguei em casa congelada e com dor de cabeça. Então aborto a idéia e resolvo passar um café preto quentinho para me recompor.

11:15 hs - Saio novamente de casa com destino ao meu ponto turistico preferido, a Zara, para trocar uma blusa que comprei, mas acabei não gostando.

E quem me diz que não é um ponto turístico fascinante?
12:00 hs - Depois de passar no Bipa para comprar um esmalte novo, na Tchibo para comprar café, vou até o Billa comprar algumas coisas que estão faltando.

Yes, we have papaya...
12:15 hs - Almoço no mercado mesmo, pois nesse Billa tem o Henrys que é um catering com comidas prontas, saladas, café e sobremesa. E tem umas mesinhas para se servir e comer ali mesmo.

12:40 hs - Pego a Mariana na escola. Converso com as professoras, leio tento ler o programa da festinha de  verão, pois está em alemão, assino a lista para receber o livro do ano, etc. Parênteses: minha filhinha já tem livro do ano da escola, tem coisa mais de gente grande?

13:15 hs - Já chegamos em casa e a Mariana cai desmaiada na cama. Daqui até as 16:00 hs eu vou passar roupa, aspirar a sala, tirar pó, dar uma geral nos banheiros e tentar lavar um pedaço do tapete dentro da banheira. Sim, o Pepe depois de velho resoveu fazer xixi no tapete da sala. Como minha lavagem não resolveu o problema, vamos ter que trocar o tapete. Ainda bem que era Ikea porque vai direto para o lixo. Enquanto passo roupa assisto um capítulo do Tufão, Batata, Carminha e companhia limitada pela Globo.com.

16:00 hs - Hoje é dia de manicure, bebê! Pego o carro e vamos felizes e saltitantes para a casa da Mel.

Vista do Parlamento de dentro do carro.
18:00 hs - Unhas feitas, cafezinho e papo em dia, voltamos para casa.

Cor de burro quando foge, mentira, Magenta da Loreal
19:00 hs - Janta pronta. A pedido do Serginho: arroz, strogonoff de frango, salada e batata palha

Oi, eu sou o pratinho da Mariana. Ela vai me comer tudinho e vai repetir..... é duro ser gostoso!
19:30 hs - Todos jantados, é hora de fazer um pouco de exercício. Como não fui na academia, nem fiz a corridinha de manhã cedo, tenho que fazer o meu exercício diário. Então coloco a Mariana na cadeirinha e vamos passear de bicicleta. Damos uma volta no ring, depois desco com ela até as margens do canal do Danúbio. O fim do dia está maravilhoso, está mais quente, o sol brilha, a cidade ferve. Andamos cerca de 12 quilômetros em mais ou menos 40 minutos. Depois ainda vamos até o playground do Stadt Park para dar uma desestressadinha no balanço, mais conhecido como U-Uh que é assim que a Mariana chama desde que era bebezinha.

A foto não é do dia, mas é para mostrar como funciona a cadeirinha e como andamos por aqui.

21:00 hs - De volta para casa, banho tomado é hora da frutinha enquanto assistimos alguma coisa na TV. O sono começa a bater. Arrumo as camas, escovamos os dentes e caminha.

22:00 hs - E todos dormem os sonos dos justos.

Se alguém me perguntar: mas essa sua vida não é muito fútil? Pode até ser. Eu poderia estar salvando as baleias, lutando pelo meio ambiente junto com o Greenpeace, etc, mas esse não é o momento. O meu momento agora é aproveitar a minha família, aproveitar a cidade em que vivo, a qualidade de vida que ela me proporciona e tudo o que tem de bom. Algumas coisas estou deixando para me preocupar um pouco mais tarde. É assim que vejo o mundo, é assim que quero estar agora. E por hora estou muito feliz.

sábado, 21 de abril de 2012

Aprendendo com os filhos

Diariamente eu me sinto muito feliz com a quantidade de coisas que eu aprendo com o Serginho. Não são aprendizagens com respeito a maternagem ou quanto a relação pessoal que envolve pais e filhos. São aprendizagens relacionadas principalmente a cultura, globalização, religião, raças, conceitos. Parece esquisito porque quem teria que estar ensinando e não aprendendo sou eu, mas é bem ao contrário.

As vezes eu me sinto até meio deslocada porque se você perguntar quais são as minhas músicas preferidas talvez eu diga que é alguma do Legião Urbana, mas sinceramente não consigo relacionar algum tipo específico de música para chamar de minha. Ao contrário dele que dá uma aula de jazz, blues, rap,e muitos outros tipos de sons que poderiam ser contradizentes por si próprio, mas que fazem na cabeça dele um universo muito mais   amplo do que o meu universo musical. Nós adoramos sair de carro com o Serginho no comando do som porque é certeza de muitas músicas boas. E quando digo boas são das mais variadas possíveis. Algumas não fazem o meu estilo musical, mas é interessante saber que existem, quem canta, a história da banda e tudo isso é conhecimento fornecido gratuitamente por ele.

Poderia ser algo normal já que adolescente adora música e é muito mais antenado do que outra geração. Mas não se trata apenas de música, esse universo passa por filmes também. Enquanto eu estou mais para uma saga Crepúsculo ele já está para Stanley Krubick. O que me faz sentir totalmente desaculturada, porém eu encaro com uma oportunidade para aprender mais.

É claro que isso também tem relação com a oportunidade cultural que ele vivencia, enquanto a minha foi muito mais limitada. Eu nunca tive aula de filme, drama, não estudei renascentismo em Florença como ele. O que me faz ser ainda mais grata pela oportunidade que ele tem diariamente por morar na Europa e pelo convívio diário com gente de toda raça, cor, credo, o que faz com que para ele seja muito mais fácil aceitar todo tipo de diferenças culturais.

Eu me lembro que a minha mãe gostava muito também do meu gosto musical e por eu sempre falar tudo o que aprendia para ela. E se eu já acho que não tive tantas oportunidades, ela teve muito menos. Nasceu numa família muito pobre, filha de uma empregada doméstica que ficou viúva quando minha mãe tinha 4 anos de idade e  tendo 12 filhos para criar e ainda por cima grávida da última filha. Passaram muita fome e minha mãe praticamente não frequentou escola porque tinha que cuidar da minha tia mais nova. Teve uma sorte muito grande de ter encontrado meu pai, filho de uma família mais classe média, filho de uma professora e de um dono de marcenaria. Casaram, pois ela estava grávida de mim. E vivem juntos nos últimos 38 anos.

E se ela aprendeu comigo muita coisa, eu aprendo com o meu filho. E acho sinceramente que aí está a verdadeira evolução: quando nossos filhos são melhores do que nós, quando sabem mais e tem mais oportunidade na vida. Espero sinceramente que a cada geração se tornem pessoas melhores não só para si mesmos, mas também para a sociedade. Utopia não. Só desejo.

terça-feira, 27 de março de 2012

Perolinhas de quem está aprendendo alemão

A Mariana ultimamente tem saído com umas pérolas misturando os dois idiomas.

1. Enquanto faço a mamadeira, normalmente eu conto a quantidade de copinhos de medida. Nesse dia contei mentalmente, mas ela não. De repente escuto:
- eins, zwei, drei, vier. (um, dois, três, quatro)

2. Na escolinha eles ensinam muito a independência da criança para se vestir, se calçar, etc. Chegando em casa ela não aceita a minha ajuda para tirar o casaco e demora até conseguir. Quando enfim consegue, ela exclama o seu próprio elogio:
- Super, mamãe (com a pronúncia alemã: supa, mamãe).
Seria mais ou menos como ótimo, legal. Eles falam isso o tempo todo por aqui.

3. Chegando na escola para buscá-la:
- cocô Moggie, mamãe
- o quê filha? O Moggie fez cocô?
- sim, cocô Moggie.
Eu com a maior cara de ponto de interrogação. Só quando chego em casa é que percebo que as fraldas dela foram trocadas. Até aí tudo bem poderia ser só de praxe mesmo.
Daí vendo umas fotos da escolinha no meu celular, de novo ela fala:
- ó Moggie, mamãe
Depois de alguns dias é que a ficha caiu. Moggie é a escolinha e ela estava avisando que tinha feito cocô na escola. Sabe por quê? Qual é a primeira palavra que eu falo quando chegamos na escolinha?
- Guten Morgen, ou para bom ouvinte só Morgen.

Não é a inteligência em pessoa?